A câmera em que ninguém apostava
Tem uma narrativa confortável no mercado fotográfico: Canon e Sony dominam, Nikon é a rebelde que sobreviveu, e Panasonic? Panasonic é aquela marca de geladeira que faz câmera.
Essa narrativa está errada — e os números europeus acabaram de provar isso.
A Panasonic revelou em uma apresentação recente na Europa que sua fatia do mercado full frame chegou a 10% — um salto expressivo saindo de apenas 3% em 2020. Quando se considera somente as câmeras vendidas com kit de lentes, essa participação sobe para 17% em 2025, comparado a 7% em 2020.
O salto mais impressionante aconteceu entre 2024 e 2025 — de 7% para 10% — e os analistas apontam a chegada das S1II, S1RII e S1IIE como os principais catalisadores dessa virada.
Pra ter uma referência de grandeza: a Nikon detém apenas 15% do mercado total no Japão. A Panasonic já está chegando lá — e na Europa, não no próprio quintal.
Mais do que isso: no mercado full frame com câmeras abaixo de 2.500 euros, a Panasonic já detém 22% do segmento. Na França, representa 12% de todas as vendas full frame. Em unidades vendidas, a Lumix é a segunda marca mais vendida na França e a que registra o maior crescimento ano a ano em toda a Europa.
Isso não é sorte. Isso é produto bom chegando na hora certa.
O que é a Lumix S1II — e por que importa para você
A Lumix S1II é a câmera full frame híbrida mais completa que a Panasonic já fez. Ponto final.
Equipada com sensor CMOS parcialmente empilhado de 24,1MP — o primeiro desse tipo na linha Lumix — a câmera oferece gravação de vídeo em até 5.9K 60fps, 4K 120fps, Open Gate até 6K e ProRes RAW interno.
Agora vamos traduzir isso para o fotógrafo e criador brasileiro:
Open Gate 6K: você grava com a proporção 3:2 usando toda a altura do sensor. Isso significa que o mesmo arquivo pode ser transformado em horizontal, vertical ou square no pós. Ideal para quem entrega conteúdo para múltiplas plataformas — e quem hoje não entrega?
ProRes RAW interno: sem gravador externo, sem dongles, sem gambiarra. RAW dentro da câmera, no cartão CFexpress. Isso era coisa de câmera de cinema de R$ 60.000 até pouco tempo atrás.
Dynamic Range Boost: até 15 stops de range dinâmico com o modo ativado capturando luz e sombra num nível que rivais custosos simplesmente não entregam.
AF com IA e 70fps: o Phase Hybrid AF com IA reconhece olhos, rostos e até Urban Sports, mantendo foco preciso mesmo em cenas de movimento intenso. Burst em AFC até 70fps no obturador eletrônico, com viewfinder sem blackout.
IBIS de 8 stops: 5 eixos de estabilização com até 8 stops de compensação, mais Active IS para filmagens em movimento com mínima vibração — essencial para quem filma andando, em eventos, em estúdio sem tripé.
E a S1IIE? Para quem não precisa dos 70fps e das resoluções mais altas de vídeo, a versão “essentials” entrega praticamente o mesmo corpo, Open Gate 6K, suporte a ARRI LogC3 (via upgrade pago), com um preço significativamente menor. A S1IIE é a câmera mais acessível do mercado a suportar LogC3. Videomaker
O firmware que separa marca boa de marca séria
Na semana passada, a Panasonic lançou uma rodada de atualizações de firmware que cobre câmeras, lentes e aplicativos do ecossistema Lumix S — e é de graça.
As atualizações se aplicam à S1R II, S1 II, S1 IIE, S5 II, S5 IIX e S9, e incluem suporte ao novo microfone digital shotgun DMW-DMS1, melhorias gerais de estabilidade e novas funções de personalização nas lentes Pro L-mount. petapixel
Especificamente nas lentes, o anel de foco passou a poder ser configurado como anel de controle adicional durante o uso do AF — e o usuário agora pode escolher a direção de rotação do foco manual. Isso pode parecer detalhe, mas para quem vive de fotografia é ergonomia que economiza tempo em campo.
No lado dos apps: o Lumix Flow 1.5.0 ganhou um modo Director Monitor que espelha a imagem da câmera para smartphone ou tablet em tempo real, com seleção de LUT direto no app, marcadores de frame customizáveis e revisão de takes sem tocar na câmera.
Traduzindo: dá para fazer live streaming diretamente da câmera com monitoramento de LUT no celular. Sem hardware extra. Sem assinatura. Firmware gratuito.
Esse é o argumento central da Panasonic e ela não precisa nem falar alto: ela respeita o dinheiro de quem comprou a câmera.
Por que ainda não é a câmera mais vendida no Brasil
Seria ingênuo fingir que a Lumix não tem obstáculos reais no Brasil.
O ecossistema L-mount tem menos lentes nativas acessíveis do que E-mount ou RF. O AF, mesmo melhorado, ainda carrega uma reputação negativa construída antes do S5 II — e reputação demora a mudar. O marketing da Panasonic no Brasil é tímido. E o preço em real, com câmbio e importação, ainda pesa.
Mas os argumentos técnicos estão ficando mais fortes a cada firmware. O Open Gate para múltiplos formatos de entrega é um diferencial real para o mercado de conteúdo. E o L-mount está se expandindo com Sigma, Leica e novos fabricantes.
A câmera está disponível no Brasil através de parceiros como a MVR Eletrônicos (São Paulo), que trabalha com importação direta e oferece suporte ao profissional que quer entrar no sistema com segurança.
Vale a pena em 2026?
Se você filma para múltiplas plataformas, faz lives, entrega conteúdo vertical e horizontal do mesmo projeto, ou precisa de qualidade cinematográfica sem um rig de cinema — a resposta é sim.
Se você é puramente fotógrafo e o AF é o único critério, a conversa é mais nuançada. Mas mesmo aí, o custo-benefício está entre os melhores do mercado full frame.
A Lumix S1II não é a câmera perfeita. Mas é a câmera mais honesta de 2026.
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