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3 | O Homem Que Inventou a Fotografia Dois Mil Anos Antes da Câmera

Como um matemático grego do século IV a.C. escondeu, dentro de uma proposição geométrica, o código que toda câmera ainda obedece hoje — e nenhum fotógrafo conhece
fragmento do livro Elementos de Euclides / Elementos - Grecia Antiqua
Papiro de Oxirrinco: o diagrama geométrico mais antigo da humanidade, no livro 2 (de um total de 13) de Os Elementos, de Euclides

Há um nome que não aparece em nenhum manual de fotografia. Não está gravado em nenhuma lente, não é citado em nenhum curso, não recebe crédito em nenhuma aula sobre abertura, profundidade de campo ou iluminação.

Mas sem ele, nada disso existiria. O nome é Euclides.


Alexandria, século IV antes de Cristo. Um matemático de quem não sabemos praticamente nada além do trabalho — nem a data de nascimento, nem a de morte, nem o rosto — publicou treze livros que se tornaram os mais vendidos da história depois da Bíblia. O título era simples: Os Elementos. O conteúdo era a geometria que hoje chamamos de euclidiana — e que, não por acaso, é a geometria do mundo visível, a que governa tudo que um olho humano consegue alcançar.

Euclides não estava pensando em fotografia. A fotografia demoraria mais dois mil anos para ser inventada.

Euclides de Alexandria
Euclides de Alexandria: o pai da Geometria

Mas algumas das proposições que ele escreveu naqueles treze livros descrevem, com uma precisão que ainda hoje assombra, o comportamento da luz, seja em um estúdio, numa locação, numa câmera ou em uma lente.


A luz caminha em linha reta.

Parece óbvio. É um dos postulados mais fundamentais da ótica geométrica, e Euclides foi um dos primeiros a formalizá-lo com rigor. Toda a câmera escura — aquela caixa estanque à luz com um furo que projetava o mundo do lado de fora na parede interna — funciona exclusivamente por causa desse princípio. Se a luz não caminhasse em linha reta, não haveria imagem nenhuma. Haveria apenas caos luminoso.


Descubra mais sobre a câmera escura nesse 1º Capítulo da Academia Obscura

e o segundo capitulo, onde revelo a origem do foco e do diafragma:


É também a razão pela qual você consegue controlar a direção de qualquer fonte de luz num estúdio: um flash, uma tocha, um LED. Você sabe, com precisão, onde e quanto de luz vai chegar — porque ela vai em linha reta, sem negociação, sem desvio, sem atalho.

O ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão.

Outra proposição euclidiana, igualmente antiga, igualmente presente em todo ensaio fotográfico que você já fez ou vai fazer. É o princípio que governa qualquer espelho, qualquer superfície reflexiva que você coloca para redirecionar a luz. Quando você posiciona um rebatedor branco para devolver luz ao rosto de alguém, você está aplicando indiretamente Euclides — sem saber, provavelmente, que estava fazendo isso.

E há uma terceira proposição. Mais específica, mais cirúrgica, e de longe a mais importante para a fotografia de todas as que Euclides escreveu.

É ela que explica de onde vem o número que está gravado em toda lente que você já tocou.


🔒 O restante deste texto é exclusivo para assinantes da Academia Obscura. O que vem a seguir é o conhecimento que desapareceu do ensino de fotografia no Brasil — e que, uma vez entendido, muda permanentemente a forma como você lê qualquer lente, posiciona qualquer fonte de luz e pensa qualquer imagem.

Se você ainda não é assinante: o que está do outro lado deste parágrafo é a explicação que nenhum curso te deu — de onde vem o 1,4, por que ele está onde está, e por que a câmera foi construída do jeito que foi.

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Continue lendo este post gratuitamente, cortesia de Renato Rocha Miranda.