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O flash mais potente ilumina menos — e ninguém enxerga isso

O teste que a Godox não vai postar (e você não vai gostar de ver)

Existe uma frase que eu repito há anos e que continua provocando revolta toda vez que aparece: a potência do flash não entra na teoria de iluminação. Não é que eu não queira: é que é impossível colocá-la.

"quem vende potência não sabe o que é potência, quem compra também não", é o texto que aparece na imagem
potência é transformação de energia e isso pode ser feito de forma ineficiente

Recentemente fiz um teste que virou o vídeo mais visualizado do meu canal. Comparei um Nikon SB800, flash de câmera com quatro pilhas AA, com o Godox V1, apresentado pelo mercado como um flash potente, versátil e moderno. O SB800 tem 1 W a menos de potência. Nas mesmas condições — mesma abertura, mesmo ISO, mesmo zoom de 35 mm, carga total — o V1 iluminava até 9 metros. O SB800 chegava a 11 metros. O flash “menos potente” iluminava 22% mais longe.

A confusão conceitual tem um motivo simples: vender

A explicação não é mistério. Potência mede transformação de energia, não intensidade de luz gerada. Uma lâmpada LED de 15 W ilumina mais do que uma incandescente de 100 W. O V1, com sua bateria e cabeça redonda, é estruturalmente menos eficiente do que um flash convencional com pilhas AA. Ele precisa de mais watts para transformar a mesma quantidade de luz. Descubra no vídeo abaixo, um dos mais assistidos no meu perfil no Instagram:

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Quando fui além e testaram o V100 — 100 W, 33% mais potente que o V1 — o resultado foi ainda mais revelador. No ETTL, colocado diante da mesma cena, na mesma abertura, o V100 pediu exatamente a mesma carga que o V1: 1/64. O flash que custa US$ 150 a mais entregou a mesma iluminação. Está escrito no manual: o número guia de ambos é 28 metros. Não há como um ser mais potente do que o outro em termos de luz gerada — e ainda assim o mercado vende o V100 como upgrade.

Por que isso acontece? Porque o fotógrafo foi ensinado que potência e intensidade são a mesma coisa. E foi ensinado assim por marcas com interesse em vender flashes mais caros, porque links de afiliados remuneram com mais facilidade as macaquices de seus “especialistas”.

Equipamentos potentes podem ser ineficientes

A teoria de iluminação — qualquer teoria de iluminação, seja para uma vela, um LED ou um flash de estúdio — opera sobre duas variáveis: intensidade e distância. A fórmula é I = 1/D². Dois termos, quatro caracteres.

Toda a sofisticação que você busca numa imagem está contida nessa equação. Quando você entende isso, você passa a entender por que um flash com mais watts pode iluminar menos, por que rebater no teto consome oito vezes mais luz, por que afastar o flash muda o contraste da imagem — e não apenas a exposição.

O problema é que essa equação foi deliberadamente expulsa do ensino de fotografia. O argumento que circula em cursos, faculdades, mentorias e ebooks é literal: “vou ensinar sem termos técnicos para não machucar a sua cabeça, direto ao ponto, sem enrolação”.

“Vou ensinar errado para facilitar sua compreensão”

Essa é a maior das enrolações, como é possível ensinar errado e facilitar a compreensão? Como se compreender o comportamento da luz fosse um obstáculo, não uma ferramenta. O resultado está à vista: fotógrafos profissionais que não conseguem explicar tecnicamente por que escolheram um equipamento. Que compram flash mais potente para “vencer o sol” — quando quem vence o sol é a velocidade do obturador, não o número guia.

Não é culpa do fotógrafo. É consequência de um mercado que descobriu ser mais fácil vender confusão do que clareza.

O V1 é um bom flash para estúdios compactos, modificadores pequenos e situações onde a distância não é uma variável crítica. Ele tem rádio embutido, design ergonômico, bateria conveniente. Para 80% dos fotógrafos de retrato no Brasil, provavelmente atende bem. O problema não é o produto — é a narrativa que o cerca. Quando você chama de “ultra potente” algo que ilumina menos do que o flash de câmera do concorrente, você está vendendo desinformação.

Um SB-800, movido a 4 pilhas paleozóicas, ilumina o mesmo que o V1 e o V100 somados

E desinformação tem custo. US$ 150 de diferença entre o V1 e o V100, para a mesma iluminação. Meses de tentativa e erro tentando entender por que a luz “não está funcionando” — quando o problema é conceitual, não técnico. Uma dependência crescente de equipamento que não resolve o problema real.

A boa notícia é que a saída é simples: entender dois termos e dois números. I = 1/D². A partir daí, você para de comprar confusão e começa a comprar ferramenta.

Se você chegou até aqui, já sabe o problema.

Agora a pergunta é: quanto tempo você ainda vai gastar chutando exposição, trocando equipamento e assistindo review que não ensina nada?

Gravei duas aulas em estúdio — com modelos, com flash, com a teoria completa aplicada ao vivo — para provar uma coisa só: câmera simples, lente do kit e o flash que você já tem são suficientes quando você entende o que está acontecendo.

Nas duas aulas você vai sair sabendo:

— a exposição de qualquer flash em 3 segundos, sem fotômetro
— o que o número guia realmente significa e como usá-lo
— como a distância controla a distribuição de luz na cena
— por que a posição da luz muda tudo na direção da modelo
— a distância correta de qualquer fonte luminosa
— como os modificadores funcionam

Não é curso. São duas aulas objetivas, únicas no Brasil, gravadas em estúdio real, com resultado visível na tela e com um valor promocional de apenas 67:

QUERO PARAR DE CHUTAR


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