A OBSCURA
Gear in Ear
Enquanto a Adobe Dormia, a Apple Acordou: Creator Studio Chega para Fechar o Cerco
0:00
-5:07

Enquanto a Adobe Dormia, a Apple Acordou: Creator Studio Chega para Fechar o Cerco

A gigante de Cupertino entra na guerra criativa com assinatura agressiva, IA que realmente funciona — e a Adobe pode estar perdendo o jogo (com o Canva/Affinity mordendo os calcanhares)
O logotipo do Apple Creator Studio é exibido acima de uma fileira de ícones coloridos de aplicativos em um fundo preto, cada ícone representando diferentes ferramentas criativas ou categorias de mídia.

Lembra quando falamos que a Adobe ganhou seu pior pesadelo com o Affinity gratuito? Pois é. A situação acabou de ficar exponencialmente pior.

Na última segunda-feira, 13 de janeiro, a Apple lançou o Creator Studio: um pacote unificado de apps criativos por $12.99/mês que ataca diretamente o modelo de negócio da Adobe Creative Cloud. E não é brincadeira — é Final Cut Pro, Pixelmator Pro, Logic Pro, Motion e Compressor em uma assinatura que custa menos que um combo no McDonald’s.

ACESSE O CREATOR STUDIO

Para quem acompanhou meu texto anterior sobre o Affinity virar gratuito, a sensação é de assistir um cerco se fechar. Só que agora não é mais só o Canva mordendo pelas bordas com design simplificado. É a Apple — com seus bilhões de dólares, ecossistema fechado e lealdade fanática — entrando de frente no mercado criativo profissional.

E a Adobe? Bem, parece que cochilou no ponto



O Que É o Creator Studio (E Por Que Você Deveria Se Importar)

O Creator Studio não é só um “pacote de apps” — é a Apple finalmente respondendo ao que criativos vêm pedindo há anos: uma alternativa real, integrada e acessível à Adobe.

O pacote inclui:

  • Final Cut Pro (vídeo profissional)

  • Pixelmator Pro (edição de imagem — a resposta ao Photoshop)

  • Logic Pro (produção musical)

  • Motion (motion graphics)

  • Compressor (renderização avançada)

Tudo por R$39,90/mês (ou R$399/ano). Estudantes pagam R$ 14,90/mês ou R$ 149/ano

Compare com a Adobe Creative Cloud completa: $69.99/mês no plano anual, ou $839.88/ano. Mas a história não é só sobre preço.

A Genialidade Silenciosa: IA que Resolve Problemas Reais

Uma pessoa usando fones de ouvido está sentada em um ambiente interno, concentrada no uso de um laptop com um software de edição de áudio aberto na tela. Uma cadeira laranja é visível ao fundo, perto de uma janela.

Aqui está o ponto crítico que a Adobe não percebeu: ninguém quer IA que gera imagens bonitinhas. Criadores querem IA que acelera workflow.

Enquanto a Adobe empurrou Firefly goela abaixo — uma ferramenta de IA generativa que, seríamos honestos, é mediana comparada a Midjourney ou DALL-E — a Apple focou em algo muito mais útil: inteligência aplicada a tarefas repetitivas e frustrantes.

O Que o Creator Studio Traz de Novo:

1. Transcript Search (Final Cut Pro) Procure palavras-chave em horas de gravação. Encontre aquela frase específica que o entrevistado disse sem precisar assistir tudo de novo. Economize literalmente horas de trabalho.

2. Visual Search Busca por conteúdo visual dentro dos seus projetos. Quer encontrar todos os takes onde aparece um carro vermelho? Um segundo. Literalmente.

3. Beat Detection O Final Cut agora usa o motor de IA do Logic Pro para detectar batidas em músicas e criar uma grid visual. Cortar vídeos no ritmo da música virou trivial.

4. Montage Maker (iPad) Selecione seus clipes, escolha o ritmo, e a IA monta um vídeo dinâmico automaticamente. Perfeito para reels, stories, ou quando você só quer testar ideias rápido.

5. Magnetic Mask (Motion) Isola e rastreia pessoas e objetos em vídeo automaticamente. O tipo de coisa que economiza dias em produções complexas.

Percebe a diferença? Adobe vende IA como um “gerador de imagens mágicas”. Apple vende IA como um assistente silencioso que faz o trabalho chato pra você.

E isso é devastador.

Pixelmator no iPad: O Ataque Direto ao Photoshop

Um laptop exibindo um software de edição de vídeo com um carro de rali em uma estrada de terra. O carro está destacado em vermelho, indicando que está sendo selecionado ou mascarado no processo de edição. As ferramentas de edição estão visíveis à esquerda.

Quando a Apple comprou a Pixelmator em novembro de 2024, muitos esperavam que ela trouxesse de volta o Aperture — o lendário concorrente do Lightroom que a Apple matou em 2015. Não foi o que aconteceu.

Mas o que veio pode ser ainda melhor: o Pixelmator Pro agora funciona plenamente no iPad, com interface otimizada para toque e Apple Pencil. E mantém paridade completa com a versão Mac.

Isso significa:

  • Sistema completo de camadas

  • Super Resolution por IA

  • Seleções inteligentes (masking automático)

  • Ferramentas profissionais de correção e composição

Tudo sincronizado entre iPad e Mac. Tudo integrado ao ecossistema Apple.

A Adobe tem o Photoshop no iPad, sim. Mas é uma versão limitada, frustrante, que sempre parece “quase lá mas não exatamente”. A Apple construiu do zero pensando em iPad — e isso se nota.

O Modelo Híbrido: Compra Única + Assinatura

Um tablet digital exibe ilustrações coloridas para o "Podcast Criaturas Fantásticas", apresentando uma criatura amarela, alada e caprichosa, com pintas e um pescoço comprido, em um exuberante cenário de selva verde.

Aqui está uma sacada inteligente que a Adobe deveria prestar atenção:

Todos os apps do Creator Studio continuam disponíveis para compra única no Mac App Store. Quer só o Final Cut Pro? Compra uma vez, é seu pra sempre.

Mas alguns recursos avançados de IA ficam exclusivos pra assinantes. É um modelo híbrido que respeita quem odeia assinaturas, mas incentiva quem quer o melhor.

Compare com a Adobe: assinatura ou nada. Quer usar Photoshop? Pague todo mês ou perca acesso a tudo. Não há meio termo.

O Cerco Se Fecha: Canva Embaixo, Apple em Cima

A tela de um laptop exibe um software de edição de vídeo com trechos de uma criança jogando bilhar. Várias faixas de vídeo e áudio são visíveis, juntamente com ferramentas de edição e uma janela de pré-visualização mostrando a criança se preparando para dar uma tacada.

Vamos recapitular a situação da Adobe em janeiro de 2026:

Por baixo: O Canva adquiriu o Affinity e o tornou completamente gratuito. Designers, ilustradores e diagramadores migrando em massa.

Pelo meio: A Affinity provou que apps profissionais podem ser vendidos em compra única e ainda lucrar. O DaVinci Resolve fez o mesmo com edição de vídeo.

Por cima: A Apple entra com força total, preço agressivo, IA funcional, e o ecossistema mais poderoso do mercado criativo.

E a Adobe? Aumentou preços em 17% em junho de 2025, empurrou IA que ninguém pediu, e continua com o mesmo Creative Cloud engessado de sempre.

Onde a Adobe Errou (E Pode Não Ter Volta)

A Adobe cometeu três erros fatais nos últimos anos:

1. Tratou Clientes Como Reféns

O modelo de assinatura obrigatória gerou revolta silenciosa. Profissionais pagavam porque “não tinha alternativa”. Agora tem.

2. Apostou na IA Errada

Firefly é impressionante tecnicamente, mas não resolve problemas reais. É espetáculo, não ferramenta.

3. Parou de Inovar Onde Importa

Quando foi a última atualização significativa do Photoshop que não fosse relacionada a IA generativa? 2020? 2019?

Enquanto isso, a concorrência focou em velocidade, estabilidade e experiência de usuário. E venceu.

O Que Isso Significa Para Você

A tela de um tablet exibe um aplicativo de edição de vídeo com uma selfie em grupo de seis jovens deitados em uma manta, sorrindo e fazendo o sinal de paz enquanto usam óculos de sol. Miniaturas do vídeo são exibidas abaixo da imagem principal.

Se você é criativo — fotógrafo, designer, videomaker — está vivendo o melhor momento da história para escolher suas ferramentas.

Vale a pena experimentar o Creator Studio? Se você está no ecossistema Apple, absolutamente. O teste grátis de um mês é sem risco.

Dá para substituir a Adobe completamente? Depende:

  • Videomakers: Final Cut é maduro, rápido e adorado. Sim.

  • Designers/ilustradores: Pixelmator + Affinity resolvem 90% dos casos. Provavelmente sim.

  • Fotógrafos: Ainda há o desafio do suporte a RAW de câmeras novas. Talvez não (ainda).

A Adobe vai reagir? Terá que reagir. Mas baixar preços quebraria o modelo de negócio. E melhorar produto... bem, eles tiveram anos pra fazer isso.

O Futuro é de Quem Respeita o Cliente

Uma pessoa com longas tranças e uma blusa de malha roxa é editada em um tablet. A tela exibe ferramentas de edição de imagem com ajustes de cor, e o fundo apresenta desenhos abstratos roxos brilhantes. Uma caneta stylus está apoiada sobre o tablet.

No final, essa guerra não é sobre tecnologia. É sobre respeito: o Canva respeitou criativos fazendo o Affinity gratuito. A Apple respeitou criativos cobrando preço justo. O DaVinci Resolve respeitou editores dando versão gratuita profissional.

A Adobe? Cobrou mais caro, entregou menos, e tratou assinantes como carteira ambulante. E agora está pagando o preço.

A revolução criativa não será televisionada. Mas será renderizada. Editada. Publicada. E a Adobe pode não estar no elenco. O Creator Studio está disponível desde 28 de janeiro na App Store. Teste grátis por 30 dias.


VENÇA O ALGORITMO, ASSINE A OBSCURA!

Discussão sobre este episódio

Avatar de User

Pronto para mais?