Existe um ritual bem conhecido entre fotógrafos que usam celular profissionalmente. Você tira a foto, abre o Lightroom Mobile, passa uns bons minutos ajustando exposição, temperatura e clareza, exporta, abre outro app pra remover aquele elemento incômodo do fundo, exporta de novo, e só então posta. É um fluxo funcional. É chato. E a Samsung acredita que acabou.
O Galaxy S26 Ultra foi apresentado ontem em São Francisco com uma proposta que vai além de especificação: ele quer ser o fim desse fluxo de três apps. E, olhando com cuidado para o que foi mostrado, há razões reais para levar isso a sério — e razões igualmente reais para não se deixar levar pelo hype de evento.
f/1.4. O que isso significa de verdade?
Vamos começar pelo hardware, porque é onde a conversa fica honesta.
A câmera principal do S26 Ultra abre agora em F1.4. Era F1.7 no S25 Ultra. Parece pouco no papel — uma diferença de 0.3 — mas em termos de captação de luz, estamos falando de 47% mais entrada de luz. É a diferença entre uma foto noturna que funciona e uma que você vai descartar.
Para colocar em perspectiva: F1.4 é a abertura de uma lente prime decente. Uma 50mm F1.4 para mirrorless custa entre R$ 1.500 e R$ 4.000 dependendo da marca. Obviamente o sensor do celular é incomparavelmente menor, e física é física — mas a Samsung está jogando com essa comparação intencionalmente, e não está completamente errada em fazê-lo, mas prepare-se: a paranóia fotográfica das câmeras maiores está chegando aos celulares.
A teleobjetiva de 50 MP também melhorou, chegando a F2.9 com 37% mais brilho no zoom óptico de 5x. Para quem fotografa eventos, palcos ou qualquer coisa com distância e pouca luz — shows, casamentos em espaços grandes, esportes noturnos — essa combinação é genuinamente nova.
O que ainda me faz pausar: a câmera Ultra Wide ficou igual. 50 MP, F1.9, sem grandes novidades. Para paisagistas e arquitetos que dependem do ângulo aberto, o salto é menor do que os headlines sugerem, para ser sincero: não há salto.
A IA que lê sua tela antes de você pedir
Aqui é onde fica interessante — e um pouco inquietante, dependendo do seu temperamento.
O recurso mais importante do S26 não é a câmera. É o Now Nudge. Ele é um agente de IA que monitora o que está acontecendo na sua tela em tempo real e oferece sugestões contextuais sem você precisar pedir nada. Alguém te manda mensagem pedindo fotos da última viagem? O Now Nudge já identificou isso, já selecionou as imagens do período correto na Galeria e te apresenta um atalho para compartilhar com dois toques.
A Samsung chama isso de “proativo”. Outros poderiam chamar de “vigilante”. A empresa foi cuidadosa em deixar claro que tudo isso é processado localmente no dispositivo, com o que chamam de Personal Data Engine — seus dados ficam criptografados no aparelho, não vão para a nuvem a menos que você autorize. É o tipo de coisa que precisa ser verificado na prática ao longo do tempo, não apenas acreditado numa apresentação de produto.
O que é inegável: o fluxo de edição ficou muito mais fluido. O Foto Inteligente agora aceita comandos em linguagem natural. Você digita “tira a pessoa do fundo” ou “deixa o céu mais dramático” e a IA executa. Não é Photoshop. Não vai substituir um retoque técnico sério. Mas para 90% das fotos que você posta no dia a dia, é rápido e funciona.
O Estúdio Criativo vai na mesma direção: você descreve ou rabisca e a IA gera um pacote de stickers para o seu teclado. Parece fútil até você perceber que criadores de conteúdo passam horas por semana fazendo exatamente isso em ferramentas separadas.
Leia o que o Videofotista, nosso parceiro, escreveu sobre esse lançamento:
A Apple chegou atrasada — e no Brasil isso dói mais
Não dá para falar do S26 sem falar do iPhone. Não porque a Samsung necessite dessa comparação para se justificar, mas porque a maioria das pessoas que vai considerar comprar um S26 Ultra está saindo de um iPhone ou pensando em trocar.
O elefante na sala é este: a Apple Intelligence, o sistema de IA da Apple, ainda não funciona em português do Brasil. Não é uma questão de recursos limitados — é uma questão de ausência. Quem comprou um iPhone 16 Pro esperando usar IA no dia a dia em PT-BR ainda está esperando.
A Samsung entrega Galaxy AI completo em português desde agora. Now Nudge, Foto Inteligente, Bixby com linguagem natural, Search with Finder — tudo em português, tudo funcional na largada. Para o mercado brasileiro, onde somos historicamente os últimos a receber features de software, isso é uma inversão notável.
Em câmera, a comparação também favorece a Samsung nos números: 200 MP contra 48 MP na principal, zoom digital de 100x contra 25x, F1.4 contra F1.78. A Apple compensa com consistência de cores e processamento de imagem que muitos fotógrafos preferem pelo resultado final mais “cinematográfico”. É uma questão de gosto tanto quanto de especificação — mas em termos de versatilidade técnica, o S26 Ultra leva.
A única vantagem objetiva que o iPhone mantém, e não é pequena: longevidade de suporte de software. A Apple garante 7 anos de atualizações. A Samsung promete 7 também agora, mas tem histórico mais curto para provar.
R$ 15 mil. Vale a pena? Depende de onde você vem.
Essa é a pergunta que todo mundo vai fazer e que poucos sites respondem com honestidade. Então vamos direto.
Se você tem S22 Ultra ou anterior: sim. O salto é grande o suficiente para justificar — câmera, IA, design mais fino, bateria que carrega 75% em 30 minutos. Com o programa de Troca Smart da Samsung, que aceita qualquer aparelho em qualquer condição, o preço real cai consideravelmente.
Se você tem S23 Ultra: sim, especialmente se câmera é central no seu trabalho. A abertura F1.4 e o pacote Galaxy AI completo que o S23 não recebe mais são argumento suficiente para criadores.
Se você tem S24 Ultra: talvez. O único recurso genuinamente exclusivo do S26 Ultra — aquele que o S24 nunca vai ter — é a Tela de Privacidade. É uma tela que usa tecnologia de ângulo de visão para escurecer o display para quem olha de lado. Inédita em qualquer smartphone. Se você trabalha em espaços públicos, avião, coworking, ou simplesmente não quer que o vizinho leia sua tela no metrô, é um diferencial real. Para todos os outros: espera mais um ciclo.
Se você tem S25 Ultra: não. Um ano não é tempo suficiente para sentir esse salto no bolso.
O veredicto da Obscura
O S26 Ultra é o melhor smartphone para fotografia e vídeo disponível agora. Dito isso, “melhor” nunca foi sinônimo de “necessário”.
O que a Samsung fez de mais inteligente aqui não foi o F1.4. Foi integrar a IA de uma forma que resolve problemas reais do fluxo de trabalho de quem cria imagens — sem exigir que você aprenda novos apps ou mude seus hábitos. O Now Nudge, o Foto Inteligente por texto e o processamento local de dados são a camada que transforma especificação em uso cotidiano.
Para fotógrafos profissionais que usam celular como câmera secundária ou de bastidores: o S26 Ultra merece atenção séria. A câmera F1.4 em condições de baixa luz abre possibilidades que câmeras de celular simplesmente não tinham até agora.
Para criadores de conteúdo que vivem no fluxo foto-edita-posta: é o upgrade mais relevante dos últimos três anos, aqui o Samsung engole a Apple, que produz o telefone mais irritante da Terra ( e olha que eu uso um Iphone 16 Pro Max)
Para quem tem iPhone e está curioso: o argumento mais forte não é a câmera. É que a IA da Samsung já fala português — e a da Apple ainda não.
O preço começa em R$ 7.499 no S26 base e chega a R$ 15.499 na versão Ultra com 1TB. É caro. O Brasil sempre paga mais. Mas pela primeira vez em um bom tempo, a Samsung lançou algo que justifica a conversa.
📄 Quer o briefing completo?
Preparei um documento exclusivo com fichas técnicas detalhadas de todos os modelos, tabela comparativa Galaxy S26 Ultra vs. iPhone linha a linha, guia de upgrade por geração e todos os preços no Brasil.
É o material que eu uso antes de escrever — organizado, consultável, direto.

















